Um parque jurássico para o dragão-de-Komodo? Não!

Dragão-de-Komodo (Varanus komodoensis) Devem os dragões-de-Komodo ir parar em um parque jurássico? (© Ringo_Wong_hkherper/istockphoto.com) Um dragão-de-Komodo olha para cima Um dragão-de-Komodo mira em direção a um futuro incerto. (© WALHI NTT) Um dragão-de-Komodo diante de um píer À espera de turistas de luxo? (© WALHI NTT)

Os dragões-de-Komodo poderiam ter se originado do filme “Jurassik Park”, pois são primitivos, grandes e fascinantes, o que pode vir a ser a sua desgraça. O governo da Indonésia quer lucrar em cima deles e por isso, quer turistas ricos no Parque Nacional de Komodo, sem considerar o dragão-de-Komodo, o mundo subaquático e a população.

Apelo

Para: Presidente Joko Widodo, com cópia para: Governador de NTT e UNESCO

“Protejam os últimos dragões! Parem de construir resorts de luxo no Parque Nacional de Komodo!”

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“As pessoas aqui vivem com o dragão-de-Komodo, a quem elas chamam de “ora”, ou  reverencialmente, de “sebae” - gêmeos da gente de Komodo. Agora o Parque Nacional de Komodo e seus habitantes estão em grande perigo”, adverte Umbu Wulang, diretor da organização ambiental WALHI NTT.

O Parque Nacional de Komodo é considerado  patrimônio da humanidade pela UNESCO desde 1991. Aqui vive uma grande parte dos últimos 3000 exemplares do ameaçado dragão-de-Komodo (Varanus komodoensis) - o maior lagarto do mundo. O mar é rico em corais, tartarugas marinhas, arraias-manta, baleias e golfinhos que se sentem à vontade - testemunhas que são da biodiversidade marinha.

O Parque Nacional de Komodo teve de ser fechado para se recuperar do turismo e do contrabando de animais; agora, porém, esses projetos estão ameaçando a natureza e seus habitantes, em nome do “ecoturismo”. Em vez de proteger os lagartos, o Presidente Joko Widodo quer alavancar o turismo.

“Jurassik Park” - é assim que os arquitetos chamam o projeto de parque geográfico na ilha Rinca. Aqui está se planejando turismo exclusivo. A taxa de entrada é de 1.000 dólares norte-americanos. As licenças são concedidas a grandes empresas, sem estudos ambientais prévios, sem foco na ciência e sem considerar os conceitos locais para um turismo limitado.

Para a população um “parque jurássico” significa retirada forçada, perda do emprego como guarda-florestal, vendedor de souvenir e pescador. Para a natureza um “parque jurássico” significa o seguinte:  destruição do ecossistema, ameaça aos lagartos e danos para os lençóis freáticos, em virtude da canalização e da retirada de areia. 

O protesto na Indonésia não teve sucesso. “Este parque jurássico destrói a natureza e as condições de vida das pessoas, que há séculos vivem com o dragão-de-Komodo”, diz Umbu Wulang, que fundamenta suas esperanças em protestos internacionais para a salvação dos últimos dragões.

Mais informações

O Parque Nacional de Komodo

O Parque National de Komodo (Taman Nasional Komodo)  fica na área das Pequenas Ihas Sunda, a leste de Bali, na província NTT.

Já no ano de 1977, as Ilhas Komodo, Rinca e Padar foram declaradas pela UNESCO como reservas de biosfera. Em 1980 o governo indonésio fundou o Parque Nacional de Komodo, originalmente só como área protegida para os  dragões-de-Komodo. Em 1991 ele foi declarado pela UNESCO como patrimônio mundial da humanidade.

O Parque Nacional compreende hoje 173.300 hectares, dos quais aproximadamente um terço é composto de terras e dois terços de água, distribuídos em numerosas ilhas de origem vulcânica e o mar.

Nas três ilhas povoadas - Komodo, Rinca e Papagarang - vivem, ao todo, cerca de 5000 pessoas (situação em 2017) pacificamente com o “dragão-de-Komodo”, portanto, antes de o Diretor do Museu Zoológico de Bogor, Pieter Ouwens, descrevê-lo cientificamente.

O Parque Nacional de Komodo é extraordinário. Aqui vive uma grande parte dos últimos 3.000 “dragões de Komodo“ (Varanus komodoensis), o maior lagarto do mundo.. Estes lagartos gigantes são os últimos da sua espécie. De primeiro, eles eram comuns em toda a Indonésia e na Austrália. Por isso, o Instituto Nacional de Conservação da Natureza - IUCN classifica o lagarto de Komodo como ameaçado. Com sua língua cortada, ele realmente lembra uma criatura de fábulas.

O dragão-de-Komodo pode chegar a 3 metros de comprimento e 70 kg de massa. No cardápio do comedor de carniça encontram-se pequenos veados, cabritos e frangos. Um veneno faz a presa ficar em estado de choque e impede a coagulação do sangue. O cervo-de-Timor é a principal presa do lagarto. Dragões-de-Komodo são rápidos e tidos por agressivos. Ataques a seres humanos são raros, mas acontecem de vez em quando.

Dragões -de-Komodo jovens são excelentes trepadores, mantendo-se quase que exclusivamente sobre árvores. À medida que cresce, ele vai ficando mais devagar nas subidas e passa a ficar mais frequentemente no chão. Os moradores de Komodo constroem suas casas em palafitas, mantendo as portas externas fechadas.

Os dragões-de-Komodo vivem distribuídos nas 5 ilhas do Parque Nacional: Komodo, Rinca, Padar, Nusar Kode (Gili Dasami) e Gili Motang. Contá-los não é muito fácil, porque eles nadam frequentemente entre uma ilha e outra. Também há dragões-de-Komodo fora do Parque Nacional, na Ilha de Flores.

Não apenas os fascinantes dragões-de-Komodo são originários do Parque Nacional mas também outras 32 espécies de mamíferos (por exemplo, o cervo-de-Timor, porcos selvagens, macaco-caranguejeiro, musang, búfalo aquático), 37 espécies de répteis e 128 de pássaros, dentre as quais a cacatua (Cacatua sulphurea), a galinha-do-mato-de-reinwardt (frango-do-mato-dos-pés-laranja - Megapodius reinwardt) e o sabiá-barulhento-da-Ásia (Philemon buceroides).

A região tem uma paisagem muito especial, tanto a terrestre como a aquática. Enquanto as ilhas são marcadas por traços áridos de savanas, o mundo aquático pulula de vigor e biodiversidade, comparável com a floresta tropical. Como parte do chamado triângulo de corais, a biodiversidade marinha é uma das maiores do mundo. Nas águas no entorno das ilha vivem 1.000 espécies de peixes, 260 espécies de recifes de coral, 70 diferentes esponjas, 17 espécies de golfinhos e baleias e duas espécies de tartarugas-marinhas. Desde que foram implementadas medidas de proteção, a a pesca com explosivos foi suspensa e área coberta de recife de corais aumentou em  60 por cento.

Embora o Parque Nacional de Komodo goze do mais alto status de proteção, as ameaças por meio de caça e pesca ilegal, bem como o comércio de animais continua sendo grande. As principais ameaças para o dragão-de-Komodo são o despedaçamento de seu habitat e da redução das presas disponíveis em virtude da caça ilegal. Guardas-florestais tentam coibir a caça ilegal no Parque Nacional de Komodo.

Pela Convenção de Washington, o dragão-de- Komodo está alistado no Anexo I; em consequência, qualquer comércio feito com dragões-de-Komodo vivos ou de partes de seu corpo (por exemplo, pele), é proibido.

Apesar disso, a administração do Parque Nacional permitiu que traficantes tenham descaminhado, nos últimos anos, 41 dragões-de-Komodo. Os animais foram vendidos pela internet a compradores indonésios e internacionais pelo preço de 35 mil dólares norte-americanos.

Além disso, autorizou-se que pessoas de fora do Parque Nacional tenham obtido autorização para capturar veados, um importante elemento na cadeia alimentar do dragão-de-Komodo.

Turismo no Parque Nacional de Komodo

O turismo começou já nos anos 80, com a criação do Parque Nacional. Desde então, os fascinantes dragões-de-Komodo são uma das principais atrações para turistas. Segundo as estatísticas oficiais, no ano de 2018, mais de 175 mil pessoas visitaram o Parque Nacional, sendo que a maioria provém do estrangeiro. No ano de 2017, a receita do Parque Nacional foi de cerca de 1,85 milhões de dólares americanos.

Outrora, o governo da Indonésia chegou a anunciar que, em 2020, fecharia a Ilha de Komodo para turistas, para que, com isso, a natureza pudesse se recuperar. Agora, porém, isso já não é mais tema. Em seu lugar, o governo da Indonésia esforça-se permanente para continuar alavancando o potencial turístico do Parque Nacional de Komodo.

E assim é que o desenvolvimento do turismo foi transmitido para empresas privadas. Desde 2012, sete empresas já requereram autorização para a construção de instalações turísticas próximas da natureza. As empresas PT Komodo Wildlife Ecotourism (KWE) e PT Segara Komodo Lestari já começaram a construir, munidas de licenças parcialmente concedidas pelo Ministério da Exploração Florestal.

Essas licenças foram concedidas - apesar de enormes protestos da população local e de ambientalistas - sem concordância da UNESCO e sem estudo de prévio impacto ambiental quanto às consequências de longo prazo sobre a extraordinária fauna e flora do Parque Nacional.

Agora, o que se planeja é um turismo exclusivo nas Ilhas Komodo, Rinca e Padar, sendo prevista uma taxa de entrada anual de cerca de 1.000 dólares americanos.  Serão construídos diversos alojamentos, restaurantes e centros de informações.

As comunidades locais, que vivem dos turistas há décadas, estão completamente excluídas desses planos. Até agora, elas ganhavam a vida sobretudo na Ilha de Komodo, vendendo souvenirs e oferecendo visitas guiadas pelas ilhas rumo aos fascinantes dragões-de-Komodo. Agora, barraquinhas de souvenirs deverão se concentrar somente na Ilha Rinca, cuja distância é de 2 horas. Segundo o que se diz, as barraquinhas que existiram até agora não seriam compatíveis com o turismo exclusivo.

Boom turístico na Indonésia

O turismo é um fator econômico importante para a Indonésia. Este setor já é o terceiro maior produtor de divisas, logo depois do setor exportador de carvão e óleo de palma. Em 2018, o turismo fez girar cerca de US$ 17 bilhões, segundo as informações das autoridades de investimento BKPM. No ano de 2018, cerca de 15,8 milhões de turistas visitaram a Indonésia, sendo que 6 milhões foram para a Ilha de Bali.

Com a visão de futuro “10 novas Balis”, tal como formulou o Presidente Joko Widodo em 2016, a Indonésia quer atrair, com novos centros turísticos, ainda mais visitantes do mundo inteiro. Até agora, foram definidos 10 locais para turismo. As quatro áreas a seguir denominadas devem ser desenvolvidas de forma prioritária: o maior lago de cratera vulcânica do mundo, que é o Danau Toba em Sumatra; o templo budista de Borobudur no centro de Java;  Mandalika na ilha balneária Lombok e a cidade portuária Labuan Bajo, que serve como ponto de partida para Komodo, a Ilha do dragão.

Outros destinos bastante demandados no arquipélago indonésio deverão incluir  Belitung, em Sumatra, o Vulcão Bromo em Ostjava, as Mil-ilhas diante de Jakarta, Wakatobi (Sulawesi), Tanjung Lesung (Banten, em Java), e Morotai (Ilhas Molucas do Norte).

O Ministério do Turismo Indonésio estima que serão necessários cerca de US$ 20 bilhões para a realização dos projetos de infraestrutura planejados (aeroportos, portos, vias automotivas), bem como para hotéis, restaurantes e instalações de lazer. Uma boa parte deverá ser proveniente de investidores privados.

O turismo, portanto, deverá ter uma importância crescente. No entanto, ainda mais viagens áereas, lixos-problema, como o plástico, gasto de água e proteção insuficiente da fauna e flora são catastróficas par ao meio-ambiente e para a população local. Para completar, ainda vem a intensa ampliação da infraestrutura necessária. O turismo predatório foi, recentemente, classificado como problema crescente por todo o sudeste asiático, inclusive na ilha indonésia de Bali.

No Regulamento N.º 14/2016 do Ministério do Turismo consta, é verdade, que turismo sustentável deve fortalecer as comunidades locais, conservar a cultura e proteger o meio-ambiente. Na prática, contudo, normalmente, a coisa é outra, como se vê no caso do desenvolvimento turístico no Parque Nacional de Komodo.

"A política do turismo é uma forma de "green grabbing": tomar a terra dos nativos sob o manto da proteção da natureza e do meio-ambiente”, disse  Eko Cahyono, um pesquisador agrônomo indonésio.

As ameaças ao Parque Nacional de Komodo pelos projetos de construção

Os projetos de construção em nome do ecoturismo ameaçam não somente a natureza, mas também os habitantes do Parque Nacional de Komodo. Em todas as três ilhas - Komodo, Rinca e Padar - já foram outorgadas concessões para a ampliação turística a empresas privadas, sendo que algumas construções já tiveram início parcial.

Os projetos de construção preveem a criação de uma infraestrutura que necessita de bastante terra, água, materiais de construção e energia., As comunidades locais e os ambientalistas temem que as obras ameacem o modo de vida dos ameaçados dragões-de-Komodo, influenciando o comportamento deles, Além disso, essas influências podem produzir efeito na cadeia alimentar do dragão-de-Komodo como um todo, colocar a perigo outros animais endêmicos, bem como prejudicar os corais com a sedimentação de esgoto e areia.

A organização ambiental WALHI conduziu em 2020/21 um estudo a respeito dos efeitos dos transtornos sobre o ecossistema dos manguezais, o qual é um dos habitats para dragões-de-Komodo jovens e outros animais, como cobras, macacos e pássaros.

O mais conhecido dos projetos é  Projeto Geopark na Ilha Rinca, o qual prevê a ocupação de uma área de 1,3 hectares, e que deverá custar cerca de 6,7 milhões de dólares americanos. Ele é denominado pelos seus próprios arquitetos, orgulhosamente, como “Jurassic Park“  Apesar de intensos protestos, já estão sendo construídas ruas e prédios na Ilha Rinca. A construção deve ficar pronta já em 2021.

Segundo ambientalistas indonésios, esta construção infringe a lei nacional do meio-ambiente, a qual proíbe que se faça alterações em uma paisagem natural Ademais, perfurações em poços conduzem à falta de água, que para os animais e plantas desta região seca é fundamental para a sobrevivência.

Na Ilha Padar, o governo indonésio planeja, além disso, uma transformação da área para Zona de Proteção para Fins Turísticos. Já em 2012, o Ministério de Exploração Florestal liberou 303,9 hectares da zona de proteção ambiental para fins turísticos. Também outras ilhas do Parque Nacional foram afetadas pelas mudanças quanto ao status das zonas a que deviam pertencer, a qual foi feita para favorecer o turismo.

As empresas privadas, além disso, estão autorizadas a administrar o habitat dos dragões-de-Komodo, bem como a administrar as áreas do parque habitadas por gente. A população local - que até agora tirava um proveito do turismo - foi completamente excluída desses planos.

Desde 2019 o governo vem planejando até mesmo a retirar comunidades inteiras da área, à força. O governo, porém, voltou atrás da decisão de deslocar 1.000 moradores, depois de enormes protestos - mas também o fez por causa dos custos. Agora, os postos de trabalho serão eliminados ou transferidos para outros.

Protestos e Reivindicações

Já em 2018 muita gente da província Nusa Tenggara Tengah NTT, situada no leste indonésio, bem como das redes de ambientalistas juntou-se ao movimento #SaveKomodo, para protestar contra os planos turísticos do governo e contra as invasões de empresas privadas no Parque Nacional de Komodo. Em virtude da pressão pública, o Presidente suspendeu, pelo menos, temporariamente, os planos de construção das duas empresas concessionárias. As licenças, porém, continuam a existir.

Comunidades locais e membros da sociedade civil tomaram diferentes medidas contra o plano de deslocar cerca de 1.000 pessoas da Ilha de Komodo. Graças aos enormes protestos, esse deslocamento pôde ser evitado. 

As comunidades locais pleiteiam do governo que a proteção da natureza continue a ser administrado pelas autoridades locais, bem como que o ecoturismo continue a ser limitado. Isso porque o planejado projeto de luxo ameaça não só o habitat dos dragões-de-Komodo, como também a história, a cultura, os direitos à terra e à própria existência da população local.

“O governo local precisa conservar o Parque Nacional de Komodo em conjunto com o governo nacional e as empresas de turismo, para fins de garantir um turismo que seja pró-meio-ambiente, livre de exploração e comercialização”, disse, em um protesto, Rafael Todowela, Diretor do West Manggarai Community Forum para a salvação do turimso (Formapp Mabar).

“A proteção à natureza deve proteger os dragões-de-Komodo, não os investidores”, complementou ele.
Em vez de fixar a exploração turística em exclusividade, o governo deveria concentrar-se mais na proteção da Ilha de Komodo. Um dos focos deveria ser a pesquisa científica sobre a proteção e ao comércio ilegal de animais. As atividades de turismo exercidas pela população local às margens do Parque Nacional deveriam ser fortalecidas; ao mesmo tempo, internamente, zonas estritas de proteção não devem ser transformadas em zonas de aproveitamento para fins econômicos.

A organização ambiental indonésia WALHI NTT pleiteia que sejam cassadas as licenças para “exploração do ecoturismo” pelo setor privado no Parque Nacional de Komodo, a formação de grupos de pesca e mais pressão pública.

#SaveKomodo pleiteia o seguinte do Presidente Joko Widodo:

  • Torne públicos os procedimentos relativos à viabilidade ambiental dos projetos planejados.
  • Revogue as licenças de “exploração para fins de ecoturismo” concedidas ao setor privado.
  • Eleja como foco a pesquisa científica sobre a proteção aos animais.
  • Acabe com o comércio ilegal de animais.
  • Não transforme as zonas internas de proteção em zonas de exploração.
  • Não exclua a população local das atividades turísticas.
  • Continue implementando o conceito de proteção da natureza administrado pelos municípios e do ecoturismo limitado.

Links:

https://whc.unesco.org/en/list/609

https://www.iucnredlist.org/species/22884/9396736

https://www.gtai.de/gtai-de/trade/wirtschaftsumfeld/bericht-wirtschaftsumfeld/indonesien/entwicklung-der-10-new-balis-in-indonesien-stockt-152368

https://www.fairunterwegs.org/news-medien/news/detail/die-nachhaltigkeit-von-praesident-widodos-zehn-neuen-balis-ist-fragwuerdig/

https://www3.investindonesia.go.id/en/article-investment/detail/all-you-need-to-know-about-the-10-new-bali-project-in-indonesia

https://twitter.com/hashtag/savekomodo

https://travel.detik.com/travel-news/d-5231742/taman-nasional-komodo-sudah-jadi-tak-perlu-ada-fasilitas-mewah?utm_content=detiktravel&utm_term=echobox&utm_campaign=detikcomsocmed&utm_medium=oa&utm_source=Twitter#Echobox=1603869906

https://www.berliner-zeitung.de/gesundheit-oekologie/fluch-oder-segen-indonesien-streitet-um-komodo-park-li.112740

https://news.mongabay.com/2018/08/komodo-protesters-say-no-to-development-in-the-dragons-den/

https://news.mongabay.com/2019/04/indonesia-arrests-7-for-allegedly-selling-komodo-dragons-over-facebook/

Carta

Para: Presidente Joko Widodo, com cópia para: Governador de NTT e UNESCO

Exmo. Sr. Presidente Joko Widodo, 
Ilmas. Sras e Sres.,

A Indonésia, com o Parque Nacional de Komodo, possui um patrimônio da humanidade extraordinário. Isso porque é lá que vivem os dragões-de-Komodo, os quais são tidos por ameaçados de extinção. A UNESCO já havia declarado a área em 1991 como Patrimônio Natural da Humanidade. Agora, porém, o Parque Nacional de Komodo e seus habitantes estão em perigo. Diversos projetos de construção estão ameaçando a área protegida, em nome do ecoturismo.

Em vez de focar no turismo exclusivo, a Indonésia deveria proteger melhor o Parque Nacional de Komodo.



Em nome do bem-estar dos ameaçados dragões-de-Komodo, da biodiversidade e das gentes do Parque, eu apoio as seguintes reivindicações de #SaveKomodo e da WALHI NTT:



- Abra mão dos projetos de construção voltados para o turismo de luxo;
- Revogue as licenças concedidas para grandes empresas;
- Em vez disso, incentive o ecoturismo limitado das comunidades locais;
- Leve em consideração o conhecimento científico;
- Mantenha as zonas de proteção internas;
e
- Acabe com o comércio ilegal de animais

Saudações cordiais

Tema

O ponto de partida: Por que a biodiversidade é tão importante?

 

Biodiversidade compreende três campos estreitamente ligados entre si: a diversidade das espécies, a diversidade genética dentro das espécies e a diversidade dos ecossistemas, como por exemplo, florestas ou mares. Cada espécie é parte de uma rede de conexões altamente complexa. Quando uma espécie é extinta, essa extinção tem repercussão sobre outras espécies e outros ecossistemas.

Globalmente, até hoje já foram descritas duas milhões de espécies, especialistas avaliam o número como amplamente maior. Florestas tropicais e recifes de corais pertencem aos ecossistemas com a mais alta biodiversidade e complexidade de organização da Terra. Cerca da metade de todas as espécies de animais e plantas vivem nas florestas tropicais.

A diversidade biológica é, em si, digna de proteção, além de ser para nós, condição de vida. Diariamente, fazemos uso de alimentos, água potável, medicamentos, energia, roupas ou materiais de construção. Ecossistemas intactos asseguram a polinização das plantas e a fertilidade do solo, protegendo-nos de catástrofes ambientais como enchentes ou deslizamentos de terra, limpam água e ar e armazenam gás carbônico (CO2), o qual é danoso para o clima.

A natureza é também a casa e ao mesmo, lugar espiritual de muitos povos originários da floresta. Estes são os melhores protetores da floresta, porquanto é especialmente em ecossistemas intactos que se encontra a base para a vida de muitas comunidades indígenas.

A conexão existente entre destruição da natureza e surgimento de pandemias é conhecida de há muito, não tendo surgido pela primeira vez com o coronavírus. Uma natureza intacta e com bastante diversidade protege-nos de doenças e de outras pandemias.

Para saber mais sobre esta conexão, pode clicar nos link abaixo:

https://www.ufrgs.br/jornal/conexoes-entre-desequilibrios-ambientais-e-o-surgimento-de-doencas-infecciosas-na-amazonia/

https://www.dw.com/pt-br/o-elo-entre-desmatamento-e-epidemias-investigado-pela-ci%C3%AAncia/a-53135352

Os efeitos: extinção de espécies, fome e crise climática

 

O estado da natureza vem piorando dramaticamente, em escala global. Cerca de um milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de serem extintas, já nas próximas décadas. Atualmente, 37.400 plantas e animais estão na lista vermelha da organização de proteção ambiental IUCN como espécies ameaçadas de extinção – um tristíssimo recorde! Especialistas chegam a dizer que se trata da sexta maior mortandade de espécies da história da Terra – a velocidade da extinção global das espécies aumentou cem vezes nos últimos dez milhões de anos, e isso por causa da influência humana no meio-ambiente.

Também numerosos ecossistemas, em todo o globo – sendo 75% ecossistemas terrestres e 66% marinhos – estão ameaçados. Somente 3% deles estão ecologicamente intactos, como, por exemplo, partes da bacia amazônica e da bacia do Congo. Especialmente afetados são ecossistemas ricos em biodiversidade, como florestas tropicais e recifes de corais. Cerca de 50% de todas as florestas tropicais foram destruídas nos últimos 30 anos. A extinção dos corais aumenta constantemente com o avançar do aquecimento global.

As principais causas para a grave diminuição da biodiversidade são a destruição de habitats, a agricultura intensiva, a pesca predatória, a caça ilegal e o aquecimento global. Cerca de 500 (quinhentos) bilhões de dólares americanos são investidos por ano, globalmente, na destruição da natureza, da seguinte forma: exploração de pecuária intensiva, subvenções para exploração de petróleo e carvão, desmatamento e impermeabilização do solo.

A perda de biodiversidade tem consequências sociais e econômicas extensas, pois a exploração dos recursos é feita em detrimento dos interesses de milhões de pessoas do Sul Global. Os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável almejados pela ONU – como, por exemplo, o combate à fome e à pobreza - somente poderão ser alcançados se for a biodiversidade for mantida em escala global e utilizada sustentavelmente para as próximas gerações.

Sem a conservação da biodiversidade, a proteção do clima também fica ameaçada. A destruição de florestas e pântanos – eis que ambos são redutores de gás carbônico – agrava a crise climática.

A solução: menos é mais!

 

Os recursos naturais da Terra não estão ilimitadamente à nossa disposição. Praticamente, consumimos recursos no volume correspondente a duas Terras e se mantivermos essa velocidade de consumo, até 2050, consumiremos, no mínimo, recursos no volume de 3 (três) planetas Terra. Para lutar pela conservação da diversidade biológica como nossa condição de vida, precisamos aumentar mais ainda a pressão sobre os nossos governantes. E mesmo no nosso simples cotidiano, podemos agir contribuindo para o mudar da coisa.

Com estas dicas para o dia-a-dia, nós protegemos o meio-ambiente:

  1. Comer plantas com mais frequência: mais legumes e “queijo” de soja (tofu) e menos ou nada de carne no prato! Cerca de 80% das áreas agrárias, em escala global, são usadas para pecuária intensiva e para o cultivo de ração animal;
  2. Alimentos regionais e orgânicos:mantimentos produzidos ecologicamente dispensam o cultivo de monoculturas gigantes e o uso de pesticidas. E a compra de produtos locais economiza uma enorme quantidade de energia;
  3. Viver com consciência: Será que é preciso mesmo comprar ainda mais roupas, ou um celular novo? Ou será que, para coisas do cotidiano, dá para comprar coisas já usadas? Existem boas alternativas para produtos com óleo de palma ou para a madeira tropical! Ter, como bicho de estimação, animais selvagens tropicais como papagaios ou répteis é tabu total! Outra coisa útil é calcular o seu dispêndio pessoal de recursos naturais (a chamada “pegada ecológica”);
  4. Ter relações amistosas com as abelhas: você pode proporcionar uma alegria para abelhas e outros insetos, plantando espécies diferenciadas e saborosas na sacada do seu apartamento ou no quintal da sua casa. Também dá para colaborar sem plantar o verde na própria casa, participando de projetos de proteção à natureza na sua região;
  5. Apoiar protestos: manifestações ou petições contra o aquecimento global ou para uma revolução agrária faz pressão nos governantes, que também são responsáveis pela proteção da biodiversidade.

Leia aqui porque tantas espécies são extintas antes de serem descobertas

 

Footnotes

Esta petição está disponível, ainda, nas seguintes línguas:

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