Antígona na Amazônia

Atrizes e atores da peça de teatro “Antígona na Amazônia” em pé, na floresta amazônica Cena da peça de teatro "Antígona na Amazônia" (© NTGent)

19 de mai. de 2023

“Antígona na Amazônia” - a peça de teatro do diretor suíço Milo Rau - trata da luta das pessoas na Amazônia brasileira pelo direito à terra e pela conservação do ecossistema. Além disso, no dia 13 de maio foi dado início a uma campanha conjunta de “Salve a Selva” contra o greenwashing perpetrado pela indústria agrária e alimentícia.

No dia 13-05-23, estreou no Teatro NTGent a peça “Antígona na Amazônia” do diretor suíço e ator Milo Rau. Esse foi o começo de uma série de apresentações que terão lugar na Bélgica, nos Países Baixos, Áustria, Alemanha e França.

Para criar a versão moderna da antiga tragédia, Rau viajou para a Amazônia, onde realizou filmagens com pessoas do Movimento Sem-Terra (MST) e com indígenas. Rau colocou as cenas feitas no estado do Pará em sua performance, que agora que está sendo executada na Europa.

O ponto alto das filmagens deu-se no dia 17 de abril, por ocasião do bloqueio de uma estrada na Amazônia. 200 pessoas representaram lá as cenas do massacre ocorrido 27 anos atrás no mesmo lugar e na mesma data, quando, por ocasião da realização da manifestação “Marcha pela Reforma Agrária”, 19 pequenos lavradores foram fuzilados pela Polícia Militar.

Dentre os participantes, está a ativista do MST, Maria de Araújo, que em 1996 foi testemunha ocular da chacina: "Vamos, hoje, bloquear essa rodovia para lembrar do massacre. Para testemunhas oculares como eu, é pesaroso ver, mais uma vez, como os meus companheiros morrem. Terrível." 

Quem dá corpo à Antígona é a atriz indígena Sara Kay:

“Nós, indígenas, começamos a ser realmente percebidos como protagonistas da luta pela floresta tropical há apenas poucos anos. Assim é que o meu povo, primeiro, foi reprimido e depois colonizado. Isso acarretou a consequência de que, muitos indígenas, até hoje, não têm direito algum sobre suas terras”, declara Sara Kay.

Rau quer trazer a luta dos sem-terra e indígenas brasileiros não apenas para os palcos europeus, mas também para a opinião pública. Tendo por ensejo a peça, ele deu início, juntamente como o MST uma campanha internacional contra o greenwashing, da qual também “Salve a Floresta” está participando. A “Declaração de 13 de maio contra a destruição “sustentável” da Amazônia e das pessoas que nela vivem!” - publicada nessa ocasião - já foi assinada por mais de 50 artistas, autores, autoras, filósofas e filósofos.

“Eu acredito que a Amazônia, na essência, é o limite do capitalismo. Ela é o último espaço realmente aberto”, declara Rau.

O caso de um conglomerado brasileiro de óleo de palma – a Agropalma - mostra, de forma drástica, como funciona o sistema da destruição, da supressão de direitos e da exploração. Já há anos, a Agropalma vem sendo acusada de roubo de terras (grilagem), violação de direitos humanos e de condições de trabalho ruins por pessoas que vivem nas suas áreas de cultivo. Tribunais brasileiros já revogaram mais da metade de títulos de propriedade da Agropalma em virtude de comércio ilegal de terras e estelionato.

Mesmo assim, a Agropalma, até hoje, tem certificação atestada por mais de mais dez selos internacionais. Dentre os clientes do óleo de palma que ela vende, estão dezenas de conglomerados alimentícios como a Ferrero, a Danone e a Nestlé. Da petição de “Salve a Floresta” sobre a enganação dos selos no caso da Agropalma ”Amazônia: Grilagem e violência por causa de óleo de palma orgânico, com comércio justo e sustentável“ já estão participaram mais de 75.000 pessoas.

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