Brasil: Famílias Ka'apor são atacadas de madrugada em área de proteção

Um grupo de Ka'apor em frente a uma placa para seu território indígena de Alto Turiaçu © TUXA TA PAME Nota das organizações indígenas Warao em solidariedade aos Tuxa Ta Pame Nota das organizações indígenas Warao em solidariedade aos Tuxa Ta Pame (© Organizações indígenas Warao)

23 de jan. de 2024

Famílias Ka'apor acampadas na área de proteção Murutyrenda, no Território Indígena Alto Turiaçu, município de Centro do Guilherme, Maranhão, foram surpreendidas na madrugada do dia 22/01 com gritos de não indígenas ordenando que saíssem da área. Os invasores levaram cachorros para atacar os Ka'apor

Na madrugada do dia 22 de janeiro, um grupo de guardiões Ka'apor foi violentamente atacado em um acampamento na área de proteção Murutyrenda, no Território Indígena Alto Turiaçu, município de Centro do Guilherme, Maranhão. As famílias guardiãs que estavam no acampamento foram surpreendidas com gritos de não indígenas ordenando que saíssem da área. Os não indígenas levaram cachorros e os atiçaram para que latissem e atacassem os Ka'apor.

As famílias conseguiram se refugiar na mata, mas o carro do Conselho de Gestão Ka'apor Tuxa Ta Pame, que estava do lado de fora do acampamento, teve o parabrisa quebrado, pneus e aparelho de som roubados pelos invasores.

De acordo com informações do Tuxa Ta Pame, a suspeita é de que os agressores sejam madeireiros, caçadores, garimpeiros e plantadores de maconha, e que eles ainda estejam na região.

A TI Alto Turiaçu, de 531.000 ha, oficialmente delimitada, demarcada e homologada en 1982, é um dos últimos remanescentes de floresta amazônica no Maranhão, da qual depende a vida de cerca de 2.500 indígenas dos povos Ka'apor, Tembé e Awá.

Os Ka'apor, que são nossos parceiros no Salve a Floresta desde 2021, solicitaram apoio para divulgar mais este ataque e cobrar das autoridades brasileiras soluções efetivas para este problema crônico.

 

"Que a polícia civil, a polícia militar do Maranhão, a Secretaria de Meio Ambiente e a Secretaria de Direitos Humanos do Estado façam seu trabalho nos povoados onde moram os madeireiros, caçadores, garimpeiros e plantadores de maconha. Que a Funai (Fundação Nacional do Índio) reconheça de fato e de direito a gestão dos Tuxa Ta Pame e não tome partido em apoiar projetos de mercado de carbono em andamento. Que o Ministérios dos Povos Indígenas, o Ministério Público Federal e o Ministério da Justiça prenda o assassino de Sarapó Ka'apor. Do contrário, poderemos assistir a mais um assassinato, uma vez que os agressores estão se apoderando do Brasil. Nós não atacamos com armas. Nós respondemos a agressão com trabalho educativo e formativo e proteção da floresta", escreveu o Tuxa Ta Pame em comunicado enviado hoje pela manhã.

O ataque ao povo Ka'apor no Maranhão aconteceu um dia depois de indígenas Pataxó Hã-Hã-Hãe terem sido brutalmente agredidos por fazendeiros e policiais militares no município de Potiraguá, sul da Bahia. Os ruralistas, com apoio da polícia, cercaram os indígenas no território Caramuru e os atacaram a tiros. A pajé Nega Pataxó foi assassinada. O cacique Nailton, seu irmão, foi atingido por disparos de arma de fogo. Outros indígenas foram agredidos - uma mulher teve o braço quebrado. O grupo que atacou os Pataxó Hã-Hã-Hãe integram um grupo auto-intitulado "invasão zero", formado por ruralistas e apoiados por polícias locais e que têm como objetivo expulsar povos originários e tradicionais de suas terras ancestrais.

Nós, da Salve a Floresta, enquanto parceiros do Tuxa Ta Pame e defensores das florestas tropicais e seus povos, repudiamos mais esta violência contra o povo Ka'apor, e exigimos das autoridades brasileiras, sejam do Maranhão ou do governo federal, que tomem as devidas providências no sentido de proteger os indígenas e seu território, e identificar e apurar a responsabilidade de quem quer que seja que tenha perpetrado mais esta violência.

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