Queremos terra fértil em vez de monocultivos de eucalipto
No sul da Bahia, a empresa de papel e celulose Veracel se apropriou de terras públicas e implantou monocultivos de eucalipto. As florestas tropicais, a agricultura e as pessoas tiveram que dar lugar a isso. Há 15 anos, os pequenos agricultores do MLT aguardam que as autoridades lhes permitam utilizar a área que lhes foi concedida
Para: Governador do Estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues; Secretário Estadual de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, Osni Cardoso de Araújo:
“As autoridades devem retirar pessoas não autorizadas das terras atribuídas ao MLT e fornecer água potável, eletricidade e moradia.”O consumo europeu de commodities extraídas do Brasil tem feito estragos na vida de povos e comunidades tradicionais e destruído o clima do planeta. Desmatamento, contaminação do solo e das águas com agrotóxicos, expulsão dos povos de suas terras. Tudo isso para alimentar o lucro de empresas transnacionais.
Esse é o caso da empresa de papel e celulose Veracel, do grupo finlandês-sueco Stora Enso e do grupo brasileiro Suzano, que se apropriaram ilegalmente de terras públicas do Estado da Bahia para implantar monocultivos de eucalipto. A Veracel devastou milhares de hectares de florestas no sul da Bahia, suprimiu áreas de agricultura e expulsou populações tradicionais de suas terras.
Em 2008, famílias do Movimento de Luta pela Terra (MLT) ocuparam 1.300 hectares que a Veracel invadiu com seus monocultivos. Ali o MLT iniciou o Assentamento Baixa Verde, plantando alimentos e recuperando a terra empobrecida pela empresa.
As famílias do MLT chegaram a ser expulsas à força uma vez, mas voltaram e continuaram os plantios. Áreas sensíveis, como ao longo dos cursos dos rios, foram recuperadas pelo MLT com espécies de árvores nativas cultivadas por eles mesmos.
Em 2010, os tribunais já haviam concedido às famílias do MLT o direito de usar a terra, mas a Veracel se opôs. Com o impasse, invasores entraram no acampamento e se apropriaram de porções da terra já concedida ao MLT. Esses invasores ameaçam os agricultores, destroem suas plantações e incendeiam suas casas.
Em 2023, o judiciário decidiu pela remoção dos invasores e a conclusão do assentamento em favor do MLT, para que seus membros possam, enfim, acessar suas áreas. Contudo, o Governo da Bahia ainda não cumpriu a decisão judicial.
Os acampados do MLT continuam impedidos de trabalhar em suas áreas, que seguem invadidas. Eles ainda esperam que as autoridades lhes permitam usar toda a área concedida, removam os invasores e garantam o abastecimento de água potável, eletricidade e moradia, conforme acordado.
As famílias do MLT nos pedem para apoiá-las com uma petição às autoridades competentes. Por favor, assine a petição:
Começo da petição: 12/03/2026
Mais informações
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Para: Governador do Estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues; Secretário Estadual de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, Osni Cardoso de Araújo:
Prezado governador do Estado da Bahia, Jerônimo Rodrigues;
Prezado Secretário Estadual de Desenvolvimento Rural do Estado da Bahia, Osni Cardoso de Araújo:
O Assentamento Baixa Verde, área ocupada pelo Movimento de Luta pela Terra (MLT) em 2008, está localizado no extremo sul da Bahia, região historicamente marcada por intensos conflitos fundiários e pela expansão da monocultura do eucalipto voltada à indústria internacional da celulose.
Esse modelo de desenvolvimento, que favorece os países do norte global, tem provocado profundos impactos ambientais e sociais aos povos e comunidades tradicionais do estado, como escassez de água, empobrecimento dos solos, perda da biodiversidade, expulsão de comunidades tradicionais e agravamento da desigualdade no campo.
O assentamento do MLT foi invadido em 2010 por um grupo que conduziu práticas de violências diversas contra os acampados, que resistiram e seguiram produzindo alimentos e recuperando o meio ambiente.
Em 2023, após o Estado da Bahia levar o caso à justiça brasileira, o judiciário decidiu pela remoção dos invasores e a conclusão do assentamento em favor do MLT, para que seus membros possam, enfim, acessar suas áreas.
Contudo, o Governo do Estado da Bahia ainda não cumpriu a decisão judicial. Os acampados do MLT continuam impedidos de trabalhar em suas áreas, que seguem invadidas, e estão completamente desassistidos pelo Estado da Bahia.
Diante desse cenário, solicitamos ao Governo do Estado da Bahia:
1. O cumprimento da decisão judicial de 2023, com a imediata e definitiva desobstrução das áreas pertencentes ao MLT no Assentamento Baixa Verde, em diálogo com seus membros;
2. A implementação urgente das infraestruturas prometidas pelo Estado da Bahia, incluindo, de forma prioritária, abastecimento regular de água potável e para irrigação, energia elétrica, construção de residências, melhoria de acessos, equipamentos comunitários e demais serviços essenciais;
3. A formalização, institucionalização e execução de políticas públicas específicas para o Assentamento Baixa Verde MLT, contemplando apoio à produção agroecológica, assistência técnica continuada, crédito rural, educação do campo, saúde, proteção ambiental, políticas de juventude e fortalecimento da economia camponesa.
Com os melhores cumprimentos.