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Retrato de uma mulher indígena com um colar de penas à direita e de um jovem indígena com uma coroa de penas à esquerda
A cacica Yuna Miriam Tembé com seu filho Italo Tuyhaw na floresta amazônica do Pará (© RdR/ Klaus Schenck)

Brasil: Acabar com o abuso do sistema judiciário contra os indígenas

Na Floresta Amazônica, a liderança indígena Yuna Miriam Tembé pede ajuda urgente. Por se opor ao desmatamento, à apropriação ilegal de terras e à violência das empresas de óleo de dendê, ela está sendo perseguida com acusações forjadas. As autoridades colocaram-lhe tornozeleiras eletrônicas. Agora, ela teme pela própria vida.

Apelo

Para: Ministério Público Federal; Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI); Conselho Nacional de Direitos Humanos; Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos; Órgãos de fiscalização do sistema judiciário e de segurança

“A violência contra a líder indígena Yuna Miriam Tembé e sua criminalização na Floresta Amazônica do Pará devem cessar imediatamente.”

Abrir a petição

Em 1º de setembro de 2026, um tribunal do Pará impôs “medidas cautelares” contra Yuna Miriam Tembé e outros três líderes indígenas. Ela é acusada de ter sequestrado e chantageado funcionários de uma empresa de segurança. No entanto, Miriam nega as acusações e conta com testemunhas confiáveis.

O verdadeiro motivo: a líder indígena está no caminho das empresas de óleo de dendê. Estas se uniram às autoridades e tentam tirá-la do caminho com acusações forjadas, denuncia Yuna Miriam em vídeo.

A “Salve a Floresta” já visitou Yuna Miriam duas vezes em seu território I’ixing. Ele fica no vale do rio Acará, no estado do Pará, local que se tornou de extremo interesse para as indústrias brasileiras de óleo de palma.

Há anos, as empresas de óleo de dendê vêm expandindo suas plantações na região, causando conflitos fundiários violentos. Elas obtêm títulos de propriedade sem consultar os moradores, tomam posse das terras e implantam monoculturas de óleo de dendê. Destroem a biodiversidade e contaminam o meio ambiente com pesticidas e efluentes das usinas de óleo.

As comunidades indígenas e quilombolas estão perdendo suas terras e seus meios de subsistência. No entanto, essas pessoas se organizaram, estão resistindo e retomaram partes de suas terras ancestrais.

Não é a primeira vez que Yuna Miriam é perseguida pela polícia e pelo judiciário. Em conexão com um caso de morte, ela já ficou detida por semanas, até que organizações de direitos humanos conseguiram sua libertação e a anulação dos processos.

“O Estado está trabalhando aqui a favor de empresas privadas, para apoiá-las – contra nós, contra nossos direitos. Eles querem nos silenciar, nos eliminar e nos exterminar novamente com violência, para que possam ocupar nossos territórios”, explica Yuna Miriam.

Por favor, assine a carta de solidariedade da Salve a Floresta em apoio a Yuna Miriam Tembé e a todas os outras lídereranças de comunidades tradicionais ameaçadas na amazônia brasileira:

Começo da petição: 02/10/2026

Mais informações

O artigo publicado em 18 de setembro de 2026 no jornal “O Varadouro”, intitulado “Algemas para indígenas ameaçados em uma disputa territorial: a escalada do conflito da óleo de dendê no Pará”, esclarece a situação e as circunstâncias. O conteúdo deixa claro que líderes indígenas, que sempre condenaram as violações dos direitos humanos, continuam expostos a um clima permanente de insegurança, pressão e vulnerabilidade.

Mais informações:

- Vídeo de Yuna Miriam Tembé no Instagram, publicado em 27 de setembro de 2026:https://www.instagram.com/reel/DdtjVE2IJvr/?stkn=MTAwZXI4NjI5MW00bQ==

- Postagem no Instagram de 27 de setembro de 2026: https://www.instagram.com/p/DdrH9c4RTz1/?stkn=MTZuZHAzcjNveXh3Ng==

- Comunicado público das organizações indígenas I´ixing e AITVA de 1º de outubro de 2026

Carta

Para: Ministério Público Federal; Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI); Conselho Nacional de Direitos Humanos; Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos; Órgãos de fiscalização do sistema judiciário e de segurança

CARTA DE SOLIDARIEDADE DA ASSOCIAÇÃO RETTET DEN REGENWALD E.V. AO POVO TEMBÉ E À LÍDER INDÍGENA MIRIAM TEMBÉ NUNES

A Rettet den Regenwald e.V. e milhares de pessoas em todo o mundo acompanham com grande preocupação a violência e a criminalização da líder indígena Yuna Miriam Tembé Nunes, bem como o agravamento dos conflitos fundiários no estado do Pará, que afetam povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos do Vale do Acará.

Seu destino, como líder do território indígena I’ixing, não é um caso isolado. A situação reflete uma realidade com a qual inúmeras comunidades tradicionais da Amazônia se deparam: por protegerem seus territórios, suas florestas, seus rios e seus modos de vida contra a destruição causada pelas indústrias agrícola, de mineração e de energia, elas se tornam alvo de ameaças, violência e criminalização.

Há anos, Yuna Miriam denuncia invasões de terras, desmatamentos, ameaças e violência contra líderes indígenas. Esses líderes se opõem à indústria do óleo de dendê para proteger a floresta tropical. Com isso, garantem os fundamentos para a sobrevivência física, cultural e espiritual do povo Tembé Tenetehara. A violência e os conflitos fundiários estão diretamente relacionados aos interesses econômicos sobre as áreas e seus recursos.

Seu território, chamado I’ixing, está localizado em uma região que tem sido enormemente afetada pela expansão da indústria do óleo de dendê. Onde antes predominavam a floresta primária, as plantações de castanha-do-pará e de açaí e outras áreas tradicionalmente utilizadas pelas comunidades, as monoculturas de óleo de dendê, em constante expansão, alteraram profundamente as paisagens, os cursos d’água, a biodiversidade e os modos de vida desenvolvidos ao longo de gerações.

As medidas cautelares impostas a Yuna Miriam Tembé por um tribunal do Pará referem-se a incidentes nos quais ela – segundo depoimentos públicos, documentos apresentados no próprio relatório e declarações de cientistas que acompanharam os eventos – não esteve envolvida. Como destaca o pesquisador Elielson Silva, da Universidade Federal de Agricultura da Amazônia (UFRA), as acusações dirigidas a Yuna Miriam Tembé carecem de qualquer fundamento factual, uma vez que nem ela nem outros indígenas do território I’ixing estavam presentes no incidente investigado.

A organização “Salve a Floresta” e as pessoas de todo o mundo que assinaram esta carta consideram extremamente grave que uma líder indígena, amplamente reconhecida por seu empenho na defesa dos direitos de seu povo, tenha sido associada a um processo sem que haja provas públicas que comprovem sua participação nos incidentes investigados.

A atuação das autoridades não é um caso isolado, mas faz parte de uma série de casos na Amazônia em que defensores e defensoras dos direitos humanos foram detidos, tiveram suas atividades tradicionais restringidas ou foram repetidamente alvo de tentativas de associá-los a incidentes que nada têm a ver com seu engajamento.

Para a Rettet den Regenwald, a proteção dos povos indígenas significa também a proteção da Amazônia. Seus territórios desempenham um papel essencial na preservação da biodiversidade, na proteção dos recursos hídricos, na regulação climática e na preservação do conhecimento ancestral, que é de fundamental importância para o futuro do planeta. Quando líderes indígenas são ameaçados ou perseguidos, não é apenas uma única pessoa que sofre as consequências; toda uma rede de proteção ecológica, cultural e humana fica ameaçada.

Por isso, manifestamos nossa solidariedade a Yuna Miriam Tembé Nunes, ao povo Tembé Tenetehara e às comunidades quilombolas e ribeirinhas do Vale do Acará, que, diante de pressões e conflitos crescentes, continuam resistindo e defendendo a natureza e seus territórios.

NOSSAS EXIGÊNCIAS


Dada a gravidade dos fatos, exigimos que as autoridades brasileiras — especialmente o Ministério Público Federal, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Conselho Nacional de Direitos Humanos, o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos e os órgãos de fiscalização dos sistemas judiciário e de segurança — realizem, sem demora, uma investigação completa, imparcial e transparente das denúncias apresentadas. É de fundamental importância esclarecer as circunstâncias que levaram ao envolvimento da líder indígena Miriam Tembé Nunes nas medidas judiciais adotadas, bem como investigar as denúncias de ameaças, violência, ocupações de terras e possíveis agressões contra líderes de comunidades indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais da região.

Reafirmamos, além disso, a necessidade de adotar medidas eficazes de proteção aos líderes ameaçados e de garantir que possam exercer livremente seu papel na defesa de seus povos, da natureza e de seus territórios, conforme garantido pela Constituição Federal e pelos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário.

Defender a floresta significa defender a vida.
Defender os territórios significa defender o futuro.

RETTET DEN WALD e.V., Hamburgo, 1º de outubro de 2026.

Tema

A situação – florestas tropicais nos tanques e nos pratos

Com 66 milhões de toneladas por ano, o óleo de palma é o óleo vegetal mais produzido no mundo. Nos últimos anos, as plantações de óleo de palma já se estenderam, mundialmente, a mais de 27 milhões de hectares de terras. Florestas tropicais, pessoas e animais já tiveram de recuar uma área do tamanho da Nova Zelândia para dar lugar ao “deserto verde”.

 O baixo preço no mercado mundial e as qualidades de processamento estimadas pela indústria levaram a que um em cada dois produtos no supermercado contenha óleo de palma. Além de ser encontrado em pizzas prontas, bolachas e margarina, o óleo de palma também está em cremes hidratantes, sabonetes, maquiagem, velas e detergentes.

O que poucas pessoas sabem: na União Europeia 61% do óleo de palma importado é usado para produzir energia: 51% (4,3 milhões de toneladas) para a produção do biodiesel, bem como 10% (o,8 milhões de toneladas) em usinas para a produção de energia e calor.

A Alemanha importa 1,4 milhões de toneladas de óleo de palma e óleo de semente de palma: 44% das importações de óleo de palma (618.749 t) foram utilizados para fins de produção de energia, dos quais 445.319 t (72%) foram utilizados para a produção de biocombustível, ao passo que 173.430 t (28%) foram usados para produzir energia e calor.

Com isso, a equivocada política de energia renovável da Alemanha e da UE é uma importante causa para a derrubada de florestas tropicais. A mistura de biocombustível na gasolina e no óleo diesel é obrigatória desde 2009, por determinação de diretiva da União Européia.

Ambientalistas, ativistas de direitos humanos, cientistas e e até mesmo a maior parte dos parlamentares europeus reivindicam, reiteradamente, a exclusão do óleo de palma do combustível e das usinas a partir de 2021. Em vão. Em 14 de junho de 2018, os membros da UE decidiram continuar permitindo o uso do óleo de palma tropical como “bioenergia” até o ano de 2030.

As alternativas: Por favor, leia as informações sobre a composição dos ingredientes na embalagem, deixando na prateleira os produtos que contém óleo de palma. Já na hora de abastecer, não há outra opção: a única solução é a bicicleta ou os meios de transporte públicos

As consequências: perda de matas, extinção de expécies, expulsão de nativos e aquecimento global

Nas regiões tropicais ao redor do Equador, o dendezeiro (elaeis guineensis) encontra condições ideais para o seu cultivo. No Sudeste Asiático, na América Latina e na África, vastas áreas de floresta tropical são desmatadas e queimadas todos os dias a fim de gerar espaço para as plantações. Desta forma, quantidades enormes de gases com efeito-estufa são emitidas na atmosfera. Em partes do ano de 2015, a Indonésia – a maior produtora de óleo de palma – emitiu mais gases climáticos do que os EUA. Emissões de CO² e metano levam a que o biodiesel produzido a partir de óleo de palma seja três vezes mais nocivo para o clima do que o combustível tirado do petróleo.

Mas nem só o clima global está sofrendo: juntamente com as árvores, também desaparecem raras espécies animais como o orangotango, o elefante-pigmeu-de-bornéu e o tigre-de-sumatra. Muitas vezes, pequenos agricultores e indígenas que habitam e protegem a floresta são deslocados da terra deles de forma violenta. Na Indonésia, mais que 700 conflitos de terra estão relacionados com a indústria de óleo de palma. Até nas plantações declaradas como “sustentáveis” ou “ecológicas”, sempre violam-se, reiteradamente, direitos humanos.

Nós, consumidores, não sabemos muito disto. Porém, o nosso consumo diário de óleo de palma também tem efeitos negativos para a nossa saúde: o óleo de palma refinado contém grandes quantidades de ésteres de ácidos graxos, que podem interferir no patrimônio hereditário e causar câncer.

A solução – revolução dos tanques e dos pratos

Hoje em dia, somente 70 mil orangotangos vivem nas florestas do Sudeste Asiático. A política do biodiesel na UE leva os antropóides à beira da extinção: cada nova plantação de dendezeiros destrói um pedaço do espaço vital deles. Para ajudar os nossos parentes, temos que aumentar a pressão sobre a política. Mas no seu dia a dia existem várias opções para agir!

Estas dicas simples ajudam a encontrar, evitar e combater o óleo de palma:

  1. Cozinhe e decida por si mesmo ingredientes frescos, misturados com um pouco de criatividade, fazem empalidecer qualquer refeição pronta (que contenha óleo de palma). Para substituir o óleo de palma industrial, podem-se utilizar óleos europeus como óleo de girassol, colza ou azeite ou, no Brasil, óleo de côco, de milho (não transgênico!) ou – se você conhece a origem – óleo de dendê artesanal.

  2. Ler as letras pequenas: na União Europeia, as embalagens de alimentos têm que indicar desde Dezembro de 2014 se o produto contém óleo de palma.1 Em produtos cosméticos e de limpeza esconde-se um grande número de termos químicos.2 Com um pouco de pesquisa na Internet, podem-se encontrar alternativas sem óleo de palma.

  3. O consumidor é o rei: Quais produtos sem óleo de palma são oferecidos? Por que não se utilizam óleos domésticos? Perguntas ao pessoal de vendas e cartas ao produtores exercem pressão sobre as empresas. Esta pressão e a sensibilização crescente da opinião pública já fizeram com que alguns produtores renunciassem o uso de óleo de palma nos próprios produtos.

  4. Petições e perguntas a políticos: protestos on-line exercem pressão sobre os políticos responsáveis por importações de óleo de palma. Você já assinou as petições da Salve a Floresta?

  5. Levante a sua voz: manifestações e ações criativas na rua tornam o protesto visível para a população e a mídia. Assim, a pressão sobre decisores políticos ainda cresce.

  6. Transporte público em vez de carro: se possível, ande a pé, de bicicleta ou use o transporte público.

  7. Passe os seus conhecimentos: a indústria e a política querem fazer-nos crer que o biodiesel seja compatível com o ambiente e que plantações de dendezeiros industriais possam ser sustentáveis. Salveaselva.org informa sobre as consequências do cultivo de dendezeiros.

  1. Vídeo de Yuna Miriam Tembé no Instagram, publicado em 27 de setembro de 2026: https://www.instagram.com/reel/DdtjVE2IJvr/?stkn=MTAwZXI4NjI5MW00bQ==

  2. Salve a Floresta, maio 2026. Uma aliança forte pela floresta tropical: https://www.salveafloresta.org/atualizacoes/15442/uma-alianca-forte-pela-floresta-tropical

  3. Varadopuro, 18 de setembro de 2026. INCRIMINADOS PELA LUTA. Tornozeleiras para indígenas ameaçados em disputa territorial: a escalada do conflito do dendê no Pará: https://ovaradouro.com.br/tornozeleiras-para-indigenas-ameacados-em-disputa-territorial-a-escalada-do-conflito-do-dende-no-para/

  4. Varadopuro, 18 de setembro de 2026. INCRIMINADOS PELA LUTA. Tornozeleiras para indígenas ameaçados em disputa territorial: a escalada do conflito do dendê no Pará: https://ovaradouro.com.br/tornozeleiras-para-indigenas-ameacados-em-disputa-territorial-a-escalada-do-conflito-do-dende-no-para/

Esta petição está disponível, ainda, nas seguintes línguas:

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