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Os colaboradores da RdR Guadalupe Rodríguez e Klaus Schenck com dois líderes dos Pataxó
Mãdy (esq.) e Capivara Pataxó receberam Guadalupe Rodríguez e Klaus Schenck em sua aldeia (© Felipe Duran)

“A floresta é a nossa crença espiritual”

13 de mai. de 2026: A edição nº 1/26 da nossa revista “Regenwald Report” coloca o Brasil em foco e este é o quarto artigo da série. No sul da Bahia, visitamos a comunidade da liderança indígena Mãdy Pataxó. Ele nos contou sobre a violência e o deslocamento forçado, mas também sobre como eles retomaram, pacificamente, terra que lhes fora roubada.


Os colaboradores da RdR Guadalupe Rodríguez e Klaus Schenck com dois líderes dos Pataxó
Mãdy (esq.) e Capivara Pataxó receberam Guadalupe Rodríguez e Klaus Schenck em sua aldeia (© Felipe Duran)

O nosso caminho para Rio Docahy é por estradas de terra lamacentas, passando pela natureza ferida. Onde outrora a região montanhosa era coberta pela Mata Atlântica, de alta biodiversidade, hoje estão espalhados os pastos bovinos e as infinitas fileiras de árvores de eucalipto. As monoculturas de papel e celulose da Veracel ocupam na Bahia quase 100 mil hectares de terra, uma área que é praticamente do tamanho de Berlim. A Veracel é uma joint-venture entre o Grupo sueco-finlandês Stora Enso e o conglomerado brasileiro Suzano.

Um pouco antes de chegar à costa atlântica, chegamos à aldeia. Lá, o Mãdy Pataxó - um dos líderes do Pataxó – está esperando por nós. Ele é muito ativo. Em 2022 ele esteve na Europa a convite da Rede de Cooperação Brasil na Alemanha, mas também em Bruxelas, e na ONU em Genebra. Só a Alemanha importa, anualmente, quase um milhão de toneladas de celulose brasileira produzida a partir de eucalipto. Para isso, a Veracel está sendo financiada por um empréstimo de 110 milhões de dólares, recebido do Banco de Investimento Europeu.

Depois de décadas de deslocamentos forçados, roubo de terras e violência impulsionada por pecuaristas e latifundiários, pela indústria papeleira e pela polícia, o Mãdy estava procurando apoio para a retomada das terras Pataxó. Já faz anos que os Pataxó começaram a reocupar terras que lhes foram roubadas. Na Conferência do Clima COP-30, o Ministério da Justiça tornou pública a demarcação de um dos territórios tradicionalmente ocupados por eles, juntamente com nove outras terras indígenas de outros povos. A Terra Comexatiba, na qual vive o Mãdy, tem uma área de 28.077 hectares e é habitada por 732 Pataxó. Para o Mãdy e os Pataxó, trata-se de um sucesso importante - que tem de ser precedido por muitos outros.

Em primeiro plano, uma área de pasto, com apenas algumas árvores e uma pequena casa. Ao fundo da casa, uma extensa plantação de eucalipto. Por trás do eucalipto, uma montanha coberta por mata atlântica.
A floresta Pataxó teve de dar o lugar para pastagens bovinas e monoculturas de eucalipto (© RdR/ Klaus Schenck)

Ao fim de nossa visita, ele nos leva a uma área retomada do agronegócio, ali perto. Essa área fica no meio de um caminho de 500m de largura, que os pataxós abriram na monocultura de eucalipto. Agora eles estão plantando ali árvores nativas com o objetivo de criar um corredor verde entre as existentes áreas de floresta e de proteção, de modo que elas também possam ser usadas pelos animais selvagens. Nós conversamos com o Mãdy sobre como a “Salve a Floresta” poderia apoiar os  Pataxó na fundação de uma organização própria e na continuidade do processo de demarcação.

“Precisamos da terra e de seus recursos para poder viver”, diz o Mãdy. “A terra é o nosso corpo, a água é o nosso sangue e floresta é a nossa crença espiritual.”

Aqui o relato de viagem detalhado:  Relato da Visita aos Pataxó

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