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Silhueta de Belém e a floresta amazônica
Silhueta de Belém, cercada pela floresta amazônica (© Anderson Coelho/ Istockphoto)
Indígenas brasileiros protestando nas ruas
Indígenas do mundo inteiro uniram-se em Belém para Marcha dos Povos pela Justiça Climática (© Rettet den Regenwald/Guadalupe Rodríguez)
Comida dos povos amazônicos
A floresta fornece aos povos indígenas uma gama diversa de alimentos, que els apresentaram para o mundo em Belém (© Guadalupe Rodriguez)

A hora e a vez dos povos originários!

16 de mai. de 2026: A edição 1/26 da nossa revista "Regenwald Report" coloca o Brasil em foco e este é o último de uma série de 7 artigos. Em novembro de 2025, o mundo voltou seus olhos para Belém do Pará, na Amazônia, onde teve lugar a Conferência da ONU sobre o Clima (COP30). Paralelamente à conferência dos governos, grupos de ambientalistas e de defesa de direitos humanos organizaram uma Cúpula dos Povos.


 

Enquanto governos negociavam abrindo portas para o petróleo, mineração e outros interesses econômicos, as sociedades civis de diversos países criavam o seu próprio espaço político. Com veemência, eles reivindicaram uma transição justa, a qual faça baixar o consumo de energia e de matérias-primas, servindo às necessidades das pessoas - e não dos mercados. 

Diferentes povos indigenas unidos em protesto em Belém
Marcha dos Povos pela Justiça Climática em Belém (© RdR/ Klaus Schenck)

Junto com seus colegas Klaus Schenck e Felipe Duran, a Guadalupe Rodríguez colaborou com o planejamento de alguns dos numerosos eventos da Cúpula dos Povos, da qual, no total participaram mais de 70 mil pessoas. 

 

“Unimos nossas forças para chamar a atenção do mundo para o fato de que a Amazônia é muito mais do que um mero cenário: A Amazônia exerce um papel fundamental para o clima, as florestas e a vida.” (Guadalupe Rodriguez, Especialista em América de “Salve a Floresta”).

COP30: Grandes negócios com o clima ou justiça ambiental?

“A COP-30 poderia ter rompido com a tradição de antigas conferências e ter se focado na justiça climática, social e ambiental. Em vez disso, ela repetiu o roteiro das quatro últimas conferências, nas quais grandes conglomerados continuaram a receber vantagens. Também desta vez, o que predominou foram as pseudo-soluções do mercado, como novos mecanismos financeiros e compensações de carbono, os quais monetarizam as florestas sem garantir que a natureza ou as florestas sejam realmente protegidas”, condena a Guadalupe Rodríguez. Em Belém, os pódios da Cúpula dos Povos foram abertos para movimentos sociais, povos indígenas, comunidades tradicionais e organizações de apoio.

No foco dos eventos estavam temas como o direito das comunidades ao bem-estar, seu direito à florestas invioladas, à água pura e ao ar limpo.

Isso é importante, especialmente nestes tempos em que, globalmente, vem crescendo a criminalização dos protestos e violência contra as pessoas que querem proteger os seus territórios. Também foi bastante discutida a questão da culpa histórica, ecológica e climática relativamente àqueles que tiveram - e ainda tem - de suportar colonialismo e exploração e hoje estão sendo especialmente afetados pela crise climática.

“O objeto da discussão foi - nada mais, nada menos - do que a criação de um modelo que respeite os limites do planeta bem como a reivindicação do bem-viver entre as pessoas e a natureza, sob condições justas”, diz a Guadalupe Rodríguez.”

No final da Cúpula, foi entregue uma Declaração contundente ao Presidente da Conferência Mundial do Clima, André Corrêa do Lago. A Declaração continha um apelo à comunidade global, invocando que se zele pela vida, pela solidariedade internacional e pela justiça climática.

 

Discussão no Forum Social
Fórum Social Mineração – um dos numerosos eventos da Cúpula dos Povos (© Klaus Schenck)

“Em conjunto com articulações como “Yes to Life - Not to Mining” e o Fórum Social Temático sobre Mineração, desenvolvemos estratégias para confrontar a corrida pelas matérias-primas necessárias à transição energética, defendendo uma transição justa e que seja determinada pelas comunidades” (Guadalupe Rodríguez no Pódio 2).

 

Larissa Santos (esq.) e a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva (a "Janja")
Larissa Santos (esq.) do Movimento Justiça nos Trilhos dando uma camiseta para a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva (© Justiça nos Trilhos)

Como sinal de solidariedade, a Larissa Santos (à esq.), do Movimento Justiça nos Trillhos, entregou uma camiseta para a primeira-dama, Rosângela ‚Janja‘ Lula da Silva, socióloga e parceira do presidente brasileiro. A camiseta é da campanha internacional pela proteção da região amazônica Tauá-Mirim, que a “Salve a Floresta” também apoiou com a organização de uma petição. Essa área está sob risco por causa da construção de um complexo portoferroviário no Maranhão.

Aqui a nossa petição.

 

O carimbó, os peixes fluviais e o açaí nos fazem lembrar que a proteção climática também preserva a cultura, a alegria de viver e a comida dos povos amazônicos. O chanceler alemão, Merz, esteve em Belém, e em vez de desfrutar disso tudo, ele simplesmente declarou publicamente que a Alemanha seria o melhor país do mundo.

 

Foi sob o sol amazônico - crescentemente marcado pela mudança do clima - quen povos indígenas, movimentos sociais, cidadãs e cidadãos uniram-se nas ruas de Belém para participar da Marcha da Justiça Climática Global, enfatizando a dignidade e a diversidade dos diferentes modos de vida.

 

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